About Us

Our work strives to enhance our sense of surroundings, identity and relationship to others and the physical spaces we inhabit, whether feral or human-made.

Selected Awards
  • 2004 — Aga Khan Award for Architecture
  • 2009 — Mies van der Rohe Award
  • 2013 — AIA/ALA Library Building Award
  • 2015 — Best Interior, Designers Saturday
  • 2016 — AIA New York Honor Award

As asas da interpretação.

Por Juan Maresca

Dos primeiros cinco livros da Bíblia, chamado Torá para os Judeus e Pentateuco para os Cristãos, nasce outra coleção de livros chamados o Talmude. Esta coleção foi feita entre o seculo III e V por eruditos hebreus na Babilônia e na Terra de Israel. Existe dentro do Talmude uma lenda sobre o Angelus Novus, em português Anjo novo. A lenda nos diz que uma hoste de anjos entoa hinos a Deus constantemente, e que Ele diariamente cria uma nova hoste de anjos que cantam diante d’Ele e depois perecem, se dissolvem na nada.

No ano 1921, o filosofo Judeu-Alemão Walter Benjamin vê com admiração uma arte de Paul Klee e decide compra-la. Essa arte se chamava Angelus Novus e tratava da lenda talmúdica mencionada anteriormente.

Walter Benjamin era uma mistura de marxista utópico com misticismo judaico. Por um lado criticou duramente ao Hitler, a teoria fascista, a burguesia, o capital financeiro e industrial alemão que apoio ao nazismo, por outro lado, reivindicava o misticismo frente a secularização de seu tempo.

Nessa mistura ideológica, nesse contexto de época, nessa crise existencial, nasce a filosofia de Benjamin. Ele compreendeu, como muitos de sua época, e como Jung também, que a linguajem nos limita e que nos símbolos tem muita mais informação além do consciente. O Benjamin acreditava nas entrelinhas, ou melhor dito, no que não estava escrito. No caso da história escrita num tempo linhal, ele afirmava que todo documento de escrita é também um documento de barbárie, principalmente porque a história dos vencedores esconde a barbárie que foi feita com os vencidos.

Numa época onde a filosofia Kantiana e o racionalismo venciam, ele acreditava que a verdade não estava no racionalismo puro, newtoniano e sim na arte. Nietzsche e Heidegger chegaram as mesmas conclusões também, e pelo visto Freud também. O que vemos, escutamos, lemos é bem diferente da ideia que esta por trás. Benjamin quis encontrar a ideia. A Aura. Praticou esse método com a arte. Como encontrar a aura de uma obra de arte? Simplesmente não está nas cores, nem nas imagens, nem no artista, nem na história do artista. A aura, é essa verdade que se encontra na obra e não no artista. Aquelo que faz única e impar cada obra de arte.

Tem a ver como o aqui e o agora. É a essência da obra. Dito em palavras psicanalíticas, poderia dizer que essa essência esta no inconsciente da obra e tem uma vontade própria, ânsia ser descoberta.

Em 1940, no ano que more, se publica seu último livro, a Tese sobre a história. Nele, faz uma crítica feroz à modernidade, à técnica, a produção, à acumulação. Ele manifesta que este contexto, principalmente secular de nossa época, é a perdida do indivíduo, por conseguinte, a perdida da humanidade.

Na sua Tésis IX, interpreta a obra de arte que comprou a Paul Klee: Angelus Novus. Nessa interpretação livre, ele manifesta que vê a um anjo paralisado, aterrorizado e com a boca aberta de ver as catástrofes do passado, “Onde nós vemos uma cadeia de acontecimentos, ele vê uma catástrofe única, que acumula incansavelmente ruína sobre ruína e a dispersa a nossos pés”. O anjo gostaria de arrumar essa catástrofe, acordar aos mortos, juntar os pedaços da tragédia, mas um vento forte, uma tempestade sopra desde o paraíso e o leva para o futuro. Ele termina dizendo, “Essa tempestade é o que chamamos progresso.”

Sem lugar a dúvidas, na interpretação da obra de arte de Paul Klee ele vê ao progresso como uma catástrofe. Ele vê na aura da arte uma calamidade. De este analise eu me pergunto. O que significa progresso? Ter mais que ontem? Ter mais que os outros? Estarmos melhor que X, Y, Z? Hoje estamos melhor que Dom Pedro I, temos água limpa, eletricidade, comidas refrigeradas, medicamentos disponíveis nas drogarias. Ele estava melhor que Luix XIV, e ele melhor que os Flinstones do desenho animado sobre a pré-historia.

Isso é progresso? Estarmos melhor que ontem? Somos filhos da razão Newtoniana e vamos a querer medir o progresso em relação a quantidades, números, produtividade. Para o Benjamin, o progresso tem uma lógica de dominação destrutiva, cada avanço, necessita a demonização do anterior e seu posterior esquecimento. Somos filhos da devastação. Somos filhos da conquista pela razão ou pela força.

Mas podem existir outras interpretações do quadro de Paul Klee. Poderíamos interpretar também que o anjo represente a possibilidade de redenção e transformação, onde seu olhar para o passado é para aprender a transformar e melhorar o futuro.

Imagino a Stanley Keleman pensando ao respeito, “O que você é já está dentro de você. Você se tem que abrir e começar a construir a partir do que já existe dentro de você”. Nesse sentido, ele como Benjamin foram existencialistas. A deferência é que o pensamento de Benjamin sobre o individuo e a história gerou uma forma somática terminou em suicídio em 1940.