About Us

Our work strives to enhance our sense of surroundings, identity and relationship to others and the physical spaces we inhabit, whether feral or human-made.

Selected Awards
  • 2004 — Aga Khan Award for Architecture
  • 2009 — Mies van der Rohe Award
  • 2013 — AIA/ALA Library Building Award
  • 2015 — Best Interior, Designers Saturday
  • 2016 — AIA New York Honor Award

A nova torre de Babel.

Por Juan Maresca

Jesus lhe inquiriu: “Qual é o teu nome?” Ao que ele replicou: “Legião!”, pois eram muitos os demônios que tinham invadido aquele homem. Lucas 8:30

Estamos vivendo numa época diferente, impar, incomparável. Jamais na história da humanidade ocorreu que o homem pense que todos pensam como ele. Hoje estamos no começo dessa época. Como será o impacto deste pensamento na psique humana? Quais serão os novos transtornos? Existiram novos ou os velhos se resinificarão? Qual seria o diagnóstico para o homem que pensa que todos pensam como ele? Qual seria nossa proposta de trabalho como psicoterapeutas para atender estas pessoas?

Vamos analisar este assunto.

Não estamos sozinhos no mundo. Existimos junto aos outros e nossa personalidade também se forma junto aos outro. O “penso logo existo” de Descartes, tem múltiplos matizes, porque nesse existir também existem os outros.

O outro é importante nas nossas vidas, principalmente na nossa autoestima. Eu sou como estes outros, mas também diferem de aqueles outros. Já sabemos, se nós somos gregos, eles são bárbaros, os que não sabem falar, os que balbuciam “bar-bar-bar”. Sobre nós e os outros, alguém sabiamente falou, “a diferença entre os bons e os maus é que os bons sempre somos nós.” Não ser os outros, significa sermos nós. Os outros nos definem, e também nos influenciam.

Sempre fomos influenciados pelos outros, principalmente pelo poder, seja este uma personalidade como a de Júlio César transformando a república Romana ou um veículo de mídia como o Jornal Nacional.

Mas a maior influência é a de nossos pares, é aquela que fazem nossos iguais, nosso círculo de confiança, de amigos, de conhecidos, de familiares. A influência deles é muito maior que a influência do poder. Mas estas duas influências não concorrem, cooperam entre sim. São como o ovo e a galinha. No final, quem influencia aos nossos pares? O poder da mídia e de Júlio César, não nasce nas pessoas?

Qualquer seja a conclusão, hoje podemos dizer que o maior influenciador são as mídias sociais, e em elas, não existe como anteriormente um poder claro como a Globo, ou a CNN. Hoje em dia o poder esta fragmentado em bilhões de mídias pessoais. Cada um de nós é uma mídia em potência com uma audiência própria. Seja nossa audiência de um milhão, mil ou cem pessoas, na verdade, tanto faz. O fato é que todos nós, nas mídias sociais, temos um círculo de influência onde influenciamos e somos influenciados. O interessante disto são os algoritmos que permitem isto. É bem-sabido que os donos das redes sociais tem como objetivo de negócio nos ter o maior tempo possível nas telas deles. Não difere ao começo da rádio e a TV. O objetivo é o mesmo, mas a diferença é o algoritmo. Estes, estudam nossos gostos, prazeres e desejos e escolhem nos mostram “só” esses gostos, prazeres e desejos. Para que mostrar algo que você não esta interessado? Correriam o risco de perder a sua audiência.

Se 10 anos atrás, eu e você que me está lendo, assistíamos à TV, a rádio ou um Jornal. Tanto eu como você íamos ver exatamente o mesmo conteúdo. Hoje em dia, eu e você podemos nos sentar no sala da minha casa juntos, e em nossas telas o conteúdo de nossos feed de notícias não vão a ser similares em nada. Isso significa, que estamos sendo alimentados com nossos prejuízos e não estamos sendo contraditos em nossos pensamentos, ao contrário, o algoritmo ratifica nossos pensamentos com notícias que fazem sentido a nossa forma de pensar e perceber o mundo. O efeito disso e o aumento da autoestima. Começamos a ver, sentir e comprovar, que as notícias e as pessoas ao nosso redor pensam como nós. Começamos a viver num mundo onde todos concordam com nossas percepções do conhecimento.

Então, seja bem-vindo a uma nova era que no passado jamais existiu: A era do homem que pensa que todos pensam como ele. Uma época onde ninguém pode mudar o que você pensa porque seus pensamentos se ratificam com as opiniões e conhecimentos de milhares de pessoas em qualquer lugar do mundo que pensam como exatamente como você. Quer acreditar que a terra é plana? Tem milhões de pessoas que pensam como você. Quer acreditar que não chegamos na lua? Também. Quer acreditar que a única solução para mudar nosso pais é o libre mercado? Tem também. Quer acreditar que o comunismo nos salvará? Tem milhões de pessoas no mundo que podem avaliar isto e alimentar este pensamento também. O legal desta época é isso, podemos nos encontrar diariamente com nossas ideias, alimentar elas e nunca jamais estar exposto a ideias contrarias, porque o algoritmo não quer isso para você. Ele quer você feliz na sua tela o maior tempo possível.

O que gera isto? Que transtorno? Obviamente é um transtorno cognitivo. Nossa capacidade de conhecer, de perceber o mundo à nossa volta está diminuída, ou quem sabe todo o contrário: esta exagerada. Sim, todos pensam como eu. Que boa época para criar pessoas com transtornos delirantes, onde o sujeito não suporta aos “outros” que pensam diferente, os acha uns idiotas sem pensamento logico e ate os termina deletando, apagando, bloqueando. O homem que pensa que todos pensam como ele não quer ler nem sentir por perto outros pontos de vista.

Isto gera desprezo pelos “outros”, que podem continuar em delírios de grandiosidade, de valor, de poder, de conhecimento, formando uma personalidade que construí um muro a sua volta cheio de tijolos e concreto, onde a consciência, a razão e a empatia vão desaparecendo ate finalmente, no ápice do muro, aparecer uma nuvem preta de ideias persecutórias, onde o sujeito acredita que é parte de uma grande conspiração.

Em resumo, o homem que pensa que todos pensam como ele é um delirante. Nossa sociedade de consumo, conectada as mídias sociais, é um grande caldo de cultivo para a criação de uma sociedade delirante onde o outro é visto como uma ameaça à torre de babel que construímos nos mesmos. Uma torre onde todos falam nossa mesma língua, símbolos, signos, prejuízos e anelos. Uma torre delirante que se Deus não a derruba, será a missão do homem destruí-la, ou será trabalho dos psicoterapeutas tratar a este mar de delirantes que povoara à terra.