About Us

Our work strives to enhance our sense of surroundings, identity and relationship to others and the physical spaces we inhabit, whether feral or human-made.

Selected Awards
  • 2004 — Aga Khan Award for Architecture
  • 2009 — Mies van der Rohe Award
  • 2013 — AIA/ALA Library Building Award
  • 2015 — Best Interior, Designers Saturday
  • 2016 — AIA New York Honor Award

A palavra transforma.

Por Juan Maresca

No livro “A Interpretação dos Sonhos”, de Sigmund Freud, há uma história que chamou a minha atenção. Nela, Freud fala de como sentiu-se envergonhado pelo seu pai. Freud nos relata a história assim:

“Eu devia ter dez ou onze anos quando meu pai começou a me levar consigo em suas caminhadas e a me revelar, em suas conversas, seus pontos de vista sobre as coisas do mundo em que vivemos. Foi assim que, numa dessas ocasiões, ele me contou uma história para me mostrar como as coisas estavam melhores naquela época do que nos seus dias. “Quando eu era jovem”, disse ele, “fui dar um passeio num sábado pelas ruas da cidade onde você nasceu; estava bem vestido e usava um novo gorro de pele. Um cristão dirigiu-se a mim e, de um só golpe, atirou meu gorro na lama e gritou. Judeu! saia da calçada! – “E o que fez o senhor?”, perguntei-lhe. “Desci da calçada e apanhei meu gorro”, foi sua resposta mansa. Isso me pareceu uma conduta pouco heróica por parte do homem grande e forte que segurava o garotinho pela mão.”

A atitude de seu pai foi uma grande decepção para Freud. Durante toda a vida ele escondeu o desapontamento com o pai, até mesmo de si próprio. Ele esperava que o pai tivesse feito outra coisa, algo mais nobre ou significativo. Algo que faria outro tipo de pai, ou simplesmente o pai que ele queria ter. Sabemos pela história que essa história fez com que Freud perdesse o respeito pelo pai.

Pareceria que ele não pensou, por ser criança, que naquela época atuar dessa forma poderia ser o ato perfeito. Sabemos todos que viviam em tempos onde era mais prudente ser sábio que destemido.

O fato de que não sendo mais criança continue analisando o pai com os olhos alheios ao contexto onde moravam é para destacar. Essa história, e sua análise, seria essencial na sua vida. Ante a angústia dessa ideia, Freud decide procurar alívio na teoria que criou para ajudar os outros, mas nele mesmo. Assim começou a fazer um auto-analise longo e exaustivo de seus pensamentos com relação ao pai. Seu objetivo era se curar a si mesmo. Ele sabia que deveria pesquisar no seu inconsciente e o fez através de seus sonhos, já que segundo ele, “o sonho é a estrada real que conduz ao inconsciente”.

Em um de seus sonhos ele mesmo fantasia em ser o herói cartaginês Aníbal vencendo aos romanos, -na sua análise são os representantes da igreja católica-. O Freud se transforma em seu sonho no herói que seu pai não foi, aquele que vence e não se retira. Desta forma, cumpre com sua máxima de que os sonhos são desejos que não foram satisfeitos.

Ele descobre assim na sua própria pele, que aquilo que nos marca e nos trauma nas nossas vidas, acontece quando não temos as capacidades de avaliá-lo nem compreendê-lo.

Ao não compreendê-lo, arrastamos o trauma sem resolvê-lo até que decidimos sair dessa situação,  na vontade de conhecer e compreender que aconteceu com um novo olhar.

São chamativas às duas situações em que Deus decide perguntar e não afirmar no primeiro livro da bíblia. No gênesis 3, logo que Eva e Adão comem o fruto proibido.

9. Deus le diz a Adão: Onde está você? 10. E ele respondeu: “Ouvi teus passos no jardim e fiquei com medo, porque estava nu; por isso me escondi”. 11. E Deus perguntou: “Quem disse que você estava nu? Você comeu do fruto da árvore da qual o proibi de comer?” 12. Disse o homem: “Foi a mulher que me deste por companheira que me deu o fruto da árvore, e eu comi”. 13. O Senhor Deus perguntou então à mu¬lher: “Que foi que você fez?” Respondeu à mulher: “A serpente me en¬ganou, e eu comi”.

Mas, porque são chamativas suas perguntas? Principalmente porque Deus não precisa perguntar. Ele sabe tudo. Mas decide fazer as perguntas para que os outros tenham consciência de seus pensamentos e seus atos. Seguramente Deus também pergunta porque Ele quer que sejamos responsáveis pelo que fazemos.

Na seguinte página, no Gênesis 4, Deus ao ver que Caim matou Abel de novo pergunta.

9. Então o Senhor perguntou a Caim: “On¬de está o seu irmão Abel?”
Respondeu ele: “Não sei; sou eu o respon¬sável por meu irmão?”
10. Disse o Senhor: “O que foi que você fez? Escute! Da terra o sangue do seu irmão está clamando.
11. Agora amaldiçoado é você pela terra, que abriu a boca para receber da sua mão o sangue do seu irmão.
12. Quan¬do você cultivar a terra, esta não lhe dará mais da sua força. Vo¬cê será um fugitivo errante pelo mundo”.
13. Disse Caim ao Senhor: “Meu castigo é maior do que posso supor¬tar.

Mas, porque pergunta? Deus não sabe a resposta? Já o falamos, Ele é Deus, mas gosto de imaginar que pergunta porque quer a reflexão.  

Nós psicanalistas, sabemos que as palavras transformam, seja como perguntas ou como respostas. Sua simples enunciação tem o poder de transformar a  realidade, como nos sentimos frente a ela. Na história mais antiga de nossa civilização Deus também fala para transformar a realidade. No terceiro parágrafo diz: “Haja luz”, e houve luz. Deus cria tudo o que existe usando a palavra. E nós também o fazemos, somos capazes de falar para nossas vidas “Haja luz” ou “Haja escuridão”, as palavras vão criar o mundo que vamos viver.  

As palavras estão cheias de símbolos e ideias. Todos nós, ao institucionalizar as nossas ideias, nos transformamos em sujeitos. Somos nossas ideias, e este conjunto de ideias que temos criam um sistema distorcido da realidade, de compreendê-la. Podemos nos despojar dessa distorção? Os grandes filósofos falam que é impossível. É por isso que existem inúmeros pontos de vista ou vistas desde um ponto sobre um tema específico. E sabemos, nenhuma delas chega nunca a ser a verdade absoluta. Racionalizar, descobrir, ter a vontade de pensar esses pontos de vista faz com que as palavras e suas ideias criem novas realidades.  

A psicanálise nasceu no Iluminismo. Essa época foi marcada por uma ênfase no método científico e no reducionismo, que afirma, de grosso modo, que objetos, fenômenos, teorias e significados complexos podem ser sempre reduzidos, a fim de explicá-los em suas partes constituintes mais simples. E aqui o grande paradoxo. Por um lado, Freud tenta seguir o modelo científico para suas descobertas. Por outro, descobre um fenômeno impossível de ser reduzido e que atua abaixo de outras regras e nos domina: O inconsciente.  

A psicanálise trabalha especialmente na exploração do inconsciente, sua investigação, observação, reconhecimento, análise. Os psicanalistas acreditam que nessa análise estão as grandes descobertas de como nós olhamos o mundo e de se esse olhar é saudável ou doente.  

Seja qual for a análise, o nosso trabalho é trazer os traumas escondidos do inconsciente à realidade do consciente. Só embaixo da luz da análise pela fala, podemos encontrar uma solução aos nossos traumas psíquicos.