About Us

Our work strives to enhance our sense of surroundings, identity and relationship to others and the physical spaces we inhabit, whether feral or human-made.

Selected Awards
  • 2004 — Aga Khan Award for Architecture
  • 2009 — Mies van der Rohe Award
  • 2013 — AIA/ALA Library Building Award
  • 2015 — Best Interior, Designers Saturday
  • 2016 — AIA New York Honor Award

Sobre o acesso ao inconsciente.

Por Juan Maresca

“E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música. “ Friedrich Nietzsche

Todos sabemos que a “vontade de entender o inconsciente” só tem um século e algumas décadas, no entanto, a “vontade de entender o ser” tem milênios.

Da primeira vontade se encarrega principalmente a psicologia, da segunda vontade, principalmente a filosofia. A psicologia nasceu numa época racionalista por excelência, onde a busca pela justificativa científica foi desesperada. Nesse ringue de luta foram colocados dois lutadores.  Por um lado, o homem racional, cientifico que pensava que a verdade e a justiça vêm da razão. Na outra esquina do ringue, um poeta. Um homem da arte, conceitualmente simbólico, mítico e intuitivo. Todos sabemos como terminou a luta. A razão ganhou e não só ganhou, senão que desterrou à intuição artística ao exílio dos conhecimentos perdidos.

Na busca pelo inconsciente, a razão cientifica também quer dominar. Mas já falaram muitos: o inconsciente se manifesta a traves de uma linguajem irracional, ou simplesmente uma linguajem simbólica, que não e compreensível pela linguagem racional.

Esta ideia da linguagem simbólica não é nova. Já vimos como a interpretação dos sonos na Bíblia era habitual. Mas o que me chamou a atenção foi como a filosofia pensou também muito sobre este tema. Na busca incessante pelo ser, e na incapacidade de explica-lo, muitos filósofos terminaram aceitando que a linguagem comum nos limita e por tanto nos impossibilita nessa procura. Nascemos jogados numa cultura que tem uma língua. Essa língua nos foi imposta, e essa língua nos limita em nosso modo de expressar o nosso ser, a nossa realidade, e por tanto as nossas vontades.

Uns dos maiores estudiosos do ser no século passado, Martin Heidegger, no final de sua vida terminou só escrevendo poesia, ele chegou na conclusão que só a poesia podia compreender a realidade, e só na poesia pode o ser humano se redimir. Louco? Lucido? Gênio? Irracional? Quem sabe. Não estou em posição de julgar ninguém. Mas a conexão entre a poesia como uma linguagem simbólica me fez refletir, e muito. Para ele, no final de sua vida, o acesso ao ser só poderia existir a traves da poesia. Mais de cem anos atrás, Nietzsche chegava nas mesmas conclusões. Se sabe, ele na sua essência foi um poeta. Só ler sua máxima obra “Assim falou Zaratustra” para descobrir que não conseguia explicar sua filosofia sem entrar em uma metáfora poética em forma de livro. Tem outro exemplo sobre este assunto na sua relação com Wagner. Ele avaliava a filosofia do compositor a traves da sua obra, sua tonalidade, sua arte.

O tempo passou, a ciência avançou e a “vontade da razão” terminou apagando nossa vontade de entender ao ser pelo símbolo, pela arte, pela música, pela poesia. Nesta luta, a análises simbólica terminou sendo uma simples e pura manifestação das emoções, uma vontade inferior, ultrapassada e ate detestável.

Uma centúria antes de Nietzsche, o Hegel caia nestes ventos da razão quando falava: “o mundo real é tal e como deve ser (die wirkliche Welt ist, wie sie sein soll)”, representando na filosofia a vontade da razão por excelência.

Mas esta razão, só pode satisfazer as exigências da lógica, mas é incapaz de satisfazer ao homem real que vive, sofre, ama, chora, ri, sente e quer entender.

E onde estamos hoje? Cercados pela ciência, o método cientifico e a linguagem da razão.

O pior engano que vivemos nestes dias é acreditar que a única forma de explicar um evento é usando o método cientifico. Estamos frente a crise da razão. Esta não esta conseguindo explicar a realidade, principalmente nesta pandemia, a crise da razão esta provocando o retorno do reprimido, a busca universal pela vontade da criação de sentido. O ser, volta a estar no foco da humanidade, principalmente porque estamos frente ao abismo e no abismo já não existe o sentido. Só frente à tragédia, ao abismo, aparece a arte para encontrar um remédio ao sem sentido da vida. Parece ser que só na arte, no simbólico, no poético, fora da linguagem e a ciência nos encontraremos a nos mesmos. Para Nietzsche a arte não seria a verdade e sim algo superior à verdade.

Não é hora de gritar pela arte e tentar destruir a ciência. É hora de saber que as duas deveriam coexistir, se retroalimentar e trabalhar em conjunto. As duas áreas se necessitam mutuamente. A arrogância da razão que aspira a entender e explicar tudo deveria enfrentar-se ao abismo do mistério, esse mistério que desde sempre foi compreendido só pela arte. Agora pensando um pouco mais sera possível que a ciência tema as artes, que ao invés de sentir que ela e inferior simplesmente prefere calar para não mostrar sua própria limitação, depois de tudo e farto conhecido que uno nega aquilo que não comprende. Mas, retornando, acredito no poder da suma, na possibilidade de ambas coexistir, pois para mim e claro que uma tem o que falta à outra e vice-versa. São complementares. E a arrogância de uma sobre a outra só atrapalha as análises e a vontade de progresso. Na tensão entre ciência/arte, razão/vida, esta a solução para entender o que não é entendível.