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Our work strives to enhance our sense of surroundings, identity and relationship to others and the physical spaces we inhabit, whether feral or human-made.

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  • 2015 — Best Interior, Designers Saturday
  • 2016 — AIA New York Honor Award

Sobre a ética na psicanálise.

Por Juan Maresca

“É mais santo e reverente acreditar nas obras de Deus que se aprofundar nelas.”
Tácito (55-115) Historiador romano.

Então vamos nos aprofundar. 

Não acredito que a ética é nada mais que “agir direito, proceder bem, sem prejudicar os outros, etc. Tampouco acredito que ética é tudo o que envolve integridade, é ser honesto em qualquer situação”. A ética pode ser isso ou o outro, e também outras coisas, porque existem tantas éticas como seres humanos. 

Nesse sentido, é objeto deste escrito aprofundar nos textos lidos na procura de uma ética simples que não deixe dúvidas sobre o marco ético de nosso trabalho como psicanalistas. 

Primeiramente, a ética é ação, motiva à ação. A ética nos motiva, nos disciplina, nos orienta a como devemos nos comportar individualmente dentro de uma sociedade estabelecida. 

Sob a luz da ética teremos problemas éticos em comer cachorros e gatos como na China e não teremos problemas de comer vacas, galinhas e porcos no Brasil. Por isso podemos concluir rapidamente que a ética é cultural e não é inata ao ser humano. 

A ética norteia os princípios e valores de uma sociedade para ela poder prosperar e progredir. Na falta dela, seríamos como mínimo uma sociedade ameaçada por nós mesmos. Thomas Hobbes, já falou disso várias vezes quando relembrou a frase escrita por Plauto (254-184 a.C.), “O homem é o lobo do homem”. O homem de Hobbes, necessita viver em sociedade sob regras, porque ele é um ser que não conhece leis, e não tem conceito de justiça. Ele somente segue os ditames de suas paixões com algumas pitadas de razão.
A ética visa nos organizar como sociedade. A ética é cultural e dinâmica. Não existe uma ética, existem muitas. E elas são criadas pela cultura e não pela imanência de um Deus ou da bondade inerente ao ser humano. 

Aristóteles já dizia que a real disposição de fazer o bem não é inata ao indivíduo e precisa ser desenvolvida com o uso da razão. 

Naqueles tempos, na cultura grega antiga, a ética era simplesmente alcançar a felicidade, a plenitude e o bom-viver. Mas também existiram outras éticas, a helenista, a epicurista, a estoicista, a cínica, a cética, e muitas outras mais que não foram as dominantes. 

Já na idade média, a ética estava baseada na interpretação dos mandamentos e preceitos religiosos, tanto no Cristianismo como no Islam. 

Logo, no final da idade média, a ética voltou ao pensamento grego, procurando-lá no homem e não na religião. Nesse momento, a ética voltou como bússola para ser feliz e voltada novamente à racionalidade. 

A etimologia da palavra ética vem do ethos, que significa morada, refúgio. Como analisamos  até agora, existem muitos refúgios para construir as bases para guiar nossas condutas como indivíduos no meio social que vivemos. Os princípios éticos diferem para cada indivíduo, porque cada um deles está influenciado por valores culturais aprendidos no seu país de origem, estado, cidade, município, escola, círculo social e familiar que obviamente pode ser diferente. 

Nesses lugares aprendemos as noções do que é certo e errado, o que está bem e o que está mal. 

A ética de cada um de nós nos norteia, é nossa bússola na tomada de decisões. 

Quando a oportunidade aparece, a ética é colocada em teste e dependendo do resultado temos uma atitude moral ou imoral. Já que a moral é justamente o exercício da ética, na prática.

Neste contexto, qual seria a ética do psicanalista? 

Obviamente toda profissão necessita um código de ética, uma bússola que nos guie em nosso contato com os outros, em nossos contextos específicos e com a sociedade. 

Mas para fazer essa análise, gostaria de ir ainda mais a fundo. Assim como qualquer empresa ou organização, acredito que a ética profissional deveria estar focada em recuperar o senso de missão, visão e valores da profissão. 

Quanto à missão, devemos responder à pergunta da razão pela qual existimos. Nos textos encontrei esta frase que responde muito bem esta pergunta. Existimos para “desalienar” e “auxiliar o paciente a conseguir o nível possível de liberdade pessoal”.

Quanto a visão, temos de responder sobre aonde queremos chegar?

Gosto muito da ideia de estarmos fazendo “uma ação de saúde, por tanto está sendo realizado um serviço público”. Sob essa ideia, temos que trabalhar constantemente no tripé clássico do psicoanálises. Análise pessoal constante, ensino teórico constante e supervisão clínica constante. 

Essa seria nossa bússola ao futuro. Profissionais com uma vontade de capacitação constante. 

Finalmente, Quanto a valores? Quais seriam? Como devemos nos portar tanto no mercado e na sociedade? Como pretendemos ser reconhecidos? 

“Simplesmente como profissionais da saúde que prestam um serviço público, onde enxergamos a todas as pessoas, como cidadãos que têm o direito de conseguir o nível possível de liberdade pessoal”.

Na síntese da missão, visão e valores, agora sim, aparece com claridade, pelo menos para mim, a ética da profissão. Estamos “para ajudar aos outros”, e o lindo da palavra ajudar é que não tem duplo sentido. Não dá para interpretações. Significa: Auxiliar, prestar socorro, facilitar, tornando algo mais fácil; dar uma contribuição a…

E se ainda não estava claro para mim qual deveria ser a minha ética, agora o esta. 

Nessa ética de “ajudar aos outros”, posso dizer que estou em casa, como o navegante depois de uma longa travessia num mar agitado. Finalmente posso gritar: “Terra”.

Porque “ajudando os outros” encontramos o lugar-comum onde podemos todos nos encontrar a desenvolver a plenitude dos outros e também a nossa.