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Our work strives to enhance our sense of surroundings, identity and relationship to others and the physical spaces we inhabit, whether feral or human-made.

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  • 2004 — Aga Khan Award for Architecture
  • 2009 — Mies van der Rohe Award
  • 2013 — AIA/ALA Library Building Award
  • 2015 — Best Interior, Designers Saturday
  • 2016 — AIA New York Honor Award

O superego do ocidente.

Por Juan Maresca

Não conheço o superego dos hindus, nem o dos índios navajos, nem das tribos africanas, nem de outras sociedades que não sejam ocidentais, mas ouso dizer que conheço o superego do Ocidente.

Enquanto o Id quer satisfazer todos os seus desejos, o superego nos diz “você não pode satisfazê-los”. Nessa luta de boxeadores pesos pesados, nós​​ estamos no meio, somos o árbitro, sempre magrinho e com camisa branca e limpa, que está pronto para receber um golpe nas muitas lutas entre esses dois grandes adversários.

Não vou tentar descobrir neste escrito de onde vem o Id, não me atrevo a ir tão longe. Mas me atrevo a propor uma luz sobre a origem do superego na sociedade em que vivemos.

Como eu disse antes o superego é o “você não pode” e, em nossa cultura judaico-cristã, acho que o grande NÃO é Deus. Desde Gênesis, o livro por excelência na formação dos pilares da cultura ocidental, já no sexto dia da criação, Deus dá ao homem o domínio dos peixes do mar, das aves do céu, e de todo animal que vive sobre a terra. Além disso, também entrega toda a erva que dê sementes, toda as árvores e todos seus frutos para o seu mantenimento.

Logo depois de ter dado a vastidão da terra e de sua obra, Deus diz seu primeiro NÃO, “De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás.” Gênesis 2:16,7

Deus terá pensado naquele momento, “faça o que quiser no Éden, pois vocês são feitos à minha imagem e semelhança, vocês são livres, mas há algo que EU NÃO QUERO dar a vocês e que definitivamente nos separa dele como semelhante: A imortalidade e o conhecimento ilimitado. Eu NÃO quero isso para vocês.

O porquê Deus não queria nossa semelhança nessas duas questões não é um assunto que irei desenvolver nesta análise, então vou continuar com nosso tema do nascimento do superego de ocidente.

O primeiro NÃO que nossa civilização recebeu foi naqueles dias de felicidade e, obviamente, nesta primeira história o Id e seu impulso para satisfazer seus prazeres ganharam. Eva junto com Adão comeram da primeira árvore, a do conhecimento e descobriram que estavam nus. Diante disso, antes que comam da árvore da vida e possam ser eternos, Deus expulsou-os do paraíso e mandou-os à terra do sofrimento, onde a terra estava maldita, e sofreriam os partos, o trabalho, a vida e a morte.

Mas esse “NÃO”, parece não mexer tanto nas nossas vidas de hoje. Comer da árvore do conhecimento e da vida não é mais uma possibilidade, ela nos foi negada há muito tempo.

Mas quais outros NÃO influenciam nossas vidas até hoje? Muito se fala sobre como o superego é construído nos NÃO da família, da escola, das leis, mas existem alguns NÃO muito mais fortes que duram milênios e eles vêm até nós do êxodo judeu do Egito.

Nas terras do Egito havia muitos deuses e também um grande rio, o Nilo, que sabia ser um Deus. Para muitos era maior do que o Deus do Céu, porque embora o Céu esteja irado e não queira mandar água, no Nilo ela sempre existe. Nas margens desse rio, um bebê foi abandonado, ele depois se chamaria Moisés e seria o príncipe do Egito, mas nunca esquecerá suas origens. Alguns dizem que isso é porque ele bebeu o leite de sua mãe judia durante sua infância, outros dirão que o destino o fez se refugiar em uma aldeia judaica para redescobrir suas tradições e desejos. Seja qual for a situação, Deus, o Deus hebreu decidiu falar com ele e o escolheu para profetizar as boas novas, ou em outras palavras, a nova verdade. Porque se há algo que as religiões monoteístas sabem fazer, é transmitir “a única verdade” ou “a verdade verdadeira”.

Resumindo a história, Deus diz a Moisés para ir ver o Faraó para libertar o povo judeu da escravidão. Se ele não o fizer, 10 pragas cairão em seu reinado. Obviamente o Faraó que tem outros deuses, com outros sistemas de crenças, não acredita nessas ameaças. Mesmo vendo que cada uma das 10 ameaças se concretizava, o Faraó não acreditou nelas e disse NÃO à liberdade do povo judeu.

Imagino que o superego do Faraó não tinha medo do Deus judeu, monoteísta, e quem sabe até blasfemo. Ele, politeísta, não acreditava em um único Deus que possuía toda a verdade, ele acreditava em múltiplas ideias que poderiam coexistir silenciosa e até contraditoriamente.

Como sabemos, o Faraó sofreu 10 maldições que se cumpriram. A última foi a mais trágica, a morte de todos os primogênitos do reino. E esse foi o sinal de Deus para o início do êxodo judeu para a terra prometida. Quando os judeus escaparam para o Mar Vermelho, o Faraó decidiu persegui-los. A história é conhecida: o mar se abre, o povo escolhido passa e os egípcios afogaram-se.

Já no deserto, à caminho da terra prometida, o superego do povo escolhido ainda não estava desenvolvido, tanto que passaram a adorar as festas, a luxúria e até a outros deuses. O Id os governa. Enquanto isso, Moisés escala o Monte Sinai e desce com os 10 mandamentos de Deus – Êxodo 20- para seu povo que já estava perdido na luxúria e no pecado.

Nesse momento, se apresentam os 10 NÃO que regulam a nossa vida até hoje. Eram os 10 mandamentos do único Deus que decidiu começar suas regras com um NÃO ao invés de um SIM. Naquela época o superego desceu em forma de tábuas e entrou na psique de um pequeno povo que a transmitiu geração após geração, até os dias de hoje, ocupando a metade do mundo. No momento da mensagem, além dos trovões e relâmpagos, Moisés também apresenta inúmeras leis que não devem ser infringidas e diz ao povo, “Não tenham medo! Deus veio prová-los, para que o temor á Deus esteja em vocês e os livre de pecar”.

A mensagem dos 10 mandamentos foi muito forte. Naquele momento, quem não respeitou as regras teve sua boca aberta foi depositada dentro dos seus corpos a água junto ao ferro fundido de seus deuses pagãos.

Deus, que sempre esteve fora de nós, aproveitou-se e se disfarçou de superego, entrando dentro nosso, no psiquismo de todos nós.

Sinto que esses dez mandamentos governam o superego com muito mais intensidade do que qualquer ensino doméstico ou escolar. Esses dez mandamentos atravessam culturalmente todas as áreas de nossa vida em sociedade. Graças a eles, pudemos nos agrupar em sociedades e aprendemos a respeitar, santificar e reverenciar tudo o que não podemos fazer. Esses dez mandamentos nos domesticaram. Certamente eles foram a base para nos ajoelharmos sem nos rebelar a outros NÃO que apareceram depois. A terra já era fértil para o advento de outros códigos, normas, regras e leis.

 E se os dez mandamentos tivessem começado com a palavra “SIM”? Se fossem afirmações positivas? Eles teriam entrado no superego? Ouso dizer que não, principalmente porque a essência do superego é o não.

E onde começou o Id? Eu disse que não ia entrar nesse assunto, mas vou desafiá-lo. Será que existe um Id social? Será que essas pulsões nos conectam como seres humanos? Será que Deus colocou o Id em nós quando soprou o fôlego da vida em sua figura de barro? No primeiro parágrafo da Bíblia, disse Deus: Haja luz; e houve luz” – Gênesis 1:3, “. Sabemos que o Big Bang é um impulso destrutivo e criativo ao mesmo tempo. Portanto, será que o Big Bang é a pulsão original do Id?

Nietzsche falou “Deus está morto”. Acho que não, ele se escondeu dentro de todos nós em forma de Id e superego.