About Us

Our work strives to enhance our sense of surroundings, identity and relationship to others and the physical spaces we inhabit, whether feral or human-made.

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  • 2004 — Aga Khan Award for Architecture
  • 2009 — Mies van der Rohe Award
  • 2013 — AIA/ALA Library Building Award
  • 2015 — Best Interior, Designers Saturday
  • 2016 — AIA New York Honor Award

O problema da anomia no psicoanálise.

Por Juan Maresca

“Isso não é o Vietnã. Isso é boliche, há regras”
O grande Lebowski – Filme 1988

A escolha da palavra “repressão” no psicoanálise não pode passar desapercebida. Em quanto nesse contexto significa uma defensa do ego contra ideias incompatíveis com o eu, em outros contextos “repressão” pode significar outras coisas. Por exemplo, no contexto político o significado de repressão é demais interessante. Ela se define como uma ação pública, que geralmente nasce por parte do Estado para conter e calar expressões contrarias ao regime estabelecido. Como se o Estado ou regime estabelecido fosse um grande ego querendo calar as ideias que contrariam ao superego já assentado e constituído. Cabe a aclaração que, em geral, este Estado/ego repressor tem como base valores e ideias/superego, autoritárias. Nesse sentido, quanto mais verdades imutáveis e absolutas tem este ser chamado Estado, mais repressão teremos a outras formas de pensamento.

A repressão não é uma ação que apenas se manifestou nos Estados contemporâneos. Por exemplo, a Inquisição promovida pela Igreja Católica na idade media foi uma forma organizada e ampla de repressão não só religiosa mas também política. Muito antes também, as crucificações massivas na época de Jesus Nazareno, foram ações de controle e penalização do império Romano frente à dissidência das normas estabelecidas. A repressão está com o ser humano desde sempre. Ate Deus reprimiu a Adam e Eva e os expulsou do Paraíso.

Freud acreditava que os conteúdos reprimidos, longe de serem aniquilados continuam vivos no inconsciente esperando calmamente para se expressar novamente em forma de sintoma.

Baseado nisto, é maravilhoso ver como o reprimido teve sua volta gloriosa na ressurreição do Cristo, seu crescimento e assentamento no consciente de milhões de pessoas ao redor do mundo, entre outros e inúmeros casos de retorno do reprimido social à esfera consciente da sociedade.

A semelhança entre como uma organização social e como o cérebro se organizam é notável. Sem lugar a dúvidas, o Estado não foi criado por marcianos e sim por homens a sua imagem e semelhança.

Concluindo, o uso da palavra repressão como forma de controle da saudê do aparato físico faz todo sentido. 
Mas tem outra palavra/conceito usado pelo psicoanálise que gostaria também de aprofundar: RESISTÊNCIA.

A resistência é uma ação de não ceder nem se entregar, uma vontade de se opor ao outro, de reagir contra o outro. É uma força que se opõe ao movimento do outro. O outro aparece como algo inevitável para a resistência se manifestar.

Em quanto alguns vem a resistência como algo negativo, eu gostaria de expor outro ponto de vista. Historicamente a resistência tem lindas historias. Desde a resistência francesa contra a submissão do Estado Francês ao poder nazista, passando pela resistência italiana se opondo em primeiro lugar ao fascismo do Benito Mussolini e logo à ocupação nazista. Como também, e mais perto de nossas latitudes, a resistência peronista na Argentina na luta contra as ditaduras que proscreveram, reprimiram e mataram aos seguidores de Juan Perón.

A resistência é algo natural e saudável frente ao autoritarismo das ideias. No caso do psicoanálise e na relação paciente-psicoterapeuta, a resistência ao meu modo de ver existe pelos mesmos motivos históricos citados anteriormente. O paciente se resiste ao outro. Ao ser externo á ele que vem a trazer suas verdades contra a vontade consciente ou inconsciente dele.

Existe nesse processo uma falta clara de confiança. O paciente não confia “ainda” no psicoterapeuta. Quando falo de confiança, vou direto a definição mais pura dela: credibilidade, crédito, segurança, familiaridade. Nessa crença ou fê de que algo não falhará ou sucederá, entre outras definições. Mas a mais interessante é sua raiz etimológica: ela vem do Latim CONFIDENTIA, “confiança”, de CONFIDERE, “acreditar plenamente, com firmeza”, que deriva de FIDES, “fé”. Dito de outro modo: acreditar plenamente e com fê.

Aqui vem a minha pergunta: porque deveríamos acreditar numa pessoa que não é mais que um mero estranho? É quase impossível não se resistir a alguém a quem não “acreditamos plenamente e com fê”, certo?

Uma hipótese: vivemos em sociedades normativas, somos regidos pelas normas. As normas ajudam a viver em sociedade, se não fosse desse jeito, “o homem seria o lobo do homem” como manifestou Thomas Hobbes.

As normas “são razões ou motivos para agir, para acreditar ou para sentir”. As normas dão confiança, segurança, familiaridade, em fim, fê de que estamos num ambiente seguro e com regras claras.

A falta de normas, se chama anomia, ela se define como “um estado de falta de objetivos e regras e de perda da identidade”.

Novamente, vivemos e estamos acostumados a conviver com normas. É por isso que penso que seria muito proveitoso falar com o paciente sobre as normas das sessões. Explicar as teorias nas quais nós como terapeutas acreditamos e sobre as quais iremos trabalhar. Por exemplo, dizer na primeira sessão: “Nós vamos a trabalhar seus sintomas buscando no seu inconsciente, porque como psicoanalistas acreditamos que em algum momento você reprimiu algo que não gostou e a apagou da sua memória, mas essa memoria vai voltar, quer voltar, e está voltando no seu sintoma. As regras do nosso jogo são ir atrás dessa memória reprimida usando o método de livre associação, nele você tem que falar todo o que vir na sua cabeça, sem reprimir nada, só assim vamos a chegar as causas e traze-las ao consciente”.

Acredito firmemente que explicar as regras do jogo no início da sessão pode criar menos resistência. Desta forma, o paciente trabalhara seus sintomas com regras de jogo, dentro de um marco de trabalho e com confiança e fê no trabalho psicoanalítico.

Sem a explicação das regras do jogo, o paciente se sente na anomia e isso faz com que o processo seja mais lento e traumático para ele. 
No final, até no boliche existem regras, não podemos jogar como se fosse Vietnã.