About Us

Our work strives to enhance our sense of surroundings, identity and relationship to others and the physical spaces we inhabit, whether feral or human-made.

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  • 2004 — Aga Khan Award for Architecture
  • 2009 — Mies van der Rohe Award
  • 2013 — AIA/ALA Library Building Award
  • 2015 — Best Interior, Designers Saturday
  • 2016 — AIA New York Honor Award

As tópicas de Freud numa análise social.

Por Juan Maresca

“A lua ficou tão triste
com aquela história de amor
que até hoje a lua insiste:
– Amanheça, por favor!”

Paulo Leminski

Nas últimas semanas fiquei pensando na primeira e na segunda tópica de Freud e como esses conceitos também poderiam funcionar para analisar à sociedade e como ela se comporta no tempo.

Assim como existe uma busca pelo prazer e pelo ódio, eros e thanatos, energizando ao individuo, me encontrei refletindo que também essa busca existe em qualquer grupo social.

Me deu muita vontade de fazer a análise do Brasil e sua história dentro deste marco teórico, mas estou convencido de que posso ferir ao leitor. É por isso, que decidi fazer a dissertação analisando a geralidade, pelo que ao terminar de ler, deixo ao leitor livre para imaginar como os argumentos afetam a nossa civilização, o continente, o pais, a região, a cidade, e ate a família.

Como observam, terminei a lista em família sem chegar no individuo, a razão é simples, Freud e muitos outros já o fizeram. A minha ideia é simples, usar sua teoria e mostrar como funciona num grupo social.

Comecemos com a primeira topica: o inconsciente (Ics), o pré- consciente(Pcs) e o consciente(Cs).

Será que uma sociedade tem um Ics, um Pcs e um Cs?

Será que o consciente da sociedade é o tolerável por ela como grupo social?

Será que existem pensamentos que uma sociedade não tolera e os joga para o Ics?

 

Será?

 

A meu modo de ver, é obvio que sim. O caso principal são os pobres e o que eles significam. Para muitos, eles são os “invisíveis” da sociedade. Ate fazendo entrevistas em profundidade no passado com esse grupo social, vi e escutei como eles se auto consideravam como “os invisíveis”, as razões? “Ninguém nos enxerga”, “ninguém nos olha nos olhos”. Mas quem é esse ninguém?, me animei a preguntar. A resposta é “a sociedade” na totalidade.

Pois, é muito fácil ver que a pobreza e a miséria doí aos olhos da sociedade, que a pobreza exista ate pode ser visto como um fracasso da sociedade toda. Então, o que faz esta psique social? Joga ao inconsciente a pobreza! A deixa “invisível”. Que não apareça na mídia, nem nos relatos, nem na publicidade, nem nas histórias, nem na história. Que não exista.

 

Mas ela existe.

 

E voltará e brotará.  O retorno do reprimido volta sempre.

A psique social os fez desaparecer, mas as energias pulsionais os fazem voltar. Só ver as revoltas populares dos pobres, dos marginados, dos invisíveis da sociedade ao longo de nossa história, todas terminaram em um enorme orgasmo de prazer quando atingiam seu clímax e voltavam ao consciente(Cs) social. A revolução Francesa de 1789, a Chinesa de 1911, a rusa de 1917 e até o 17 de outubro de 1945 na Argentina, entre outras. Todas terminaram, num orgasmo social.

Na Argentina, no 17 de outubro, a mídia falou assim, “o aluvião zoológico invade Buenos Aires”. Nas outras, deve ter acontecido algo parecido. “O inconsciente invade o consciente” poderiam ter titulado.

Mas a história não termina aí, o retorno do reprimido quer “continuar” sentindo seu prazer agora liberado e já no consciente. Os invisíveis entram na vida social, cultural e politica do pais.

Neste momento da obra, o segundo ato começa, se abre a cortina e entra a segunda tópica Freudiana, com o Id, o Ego e o Superego.

O invisível se faz visível é a personalidade do líder nascido neste super orgasmo vira o superego social. Seja ele Robespiere, Lenin

A personalidade do líder deste super orgasmo se transformou no super ego social. Seja este Robiespere, Lenin, Mao Zedong ou Perón.

O Superego desta nova realidade começa a mudar, aparecem novos “NÃO” para este grupo social, os invisíveis “agora” tem que ser “os outros”. Eles parecem gritar,

— Joguemos ao inconsciente aos reis, monarcas, ricos, burguesia, ou como os queram charma-los. Joguemos aos que nos invisibilizaram ou lugar invisível que a história estava guardando para todos eles.

A maquina mediática, grande propagadora do Superego social, começa a criar novos “Não”  nesta mente social. E esse Ego social é moldeado aos novos valores e costumes. Já o  sabemos, este Ego social “é escravo de dois senhores”, os impulsos animais sociais e a maquina mediática do poder de turno.

Mas a história volta a repetir-se. O novo inconsciente, quer voltar a sentir seu prazer, e terminará voltando. Nietzche falou do “eterno retorno”, Freud falou do “retorno do reprimido”, me animo então a unir os dois términos e falar do “eterno retorno do reprimido”.

Volta e com força, em forma de ditaduras, carcel aos que pensam diferente, gulags, campos de concentração, desaparecidos. Mas também em forma de democracias, com outros métodos de desaparição da consciência social.

As pulsões para voltar são as mesmas de sempre:  

 

  • Pulsão pela nossa vida, cuidando e protegendo nosso estilo de vida.  
  • Pulsão pela morte, buscando a desaparição ou a invisibilidade dos “outros”.

Da a sensação que a formação do ser individual, ou social, ou nacional se cria em função ao ódio aos “outros” e ao amor aos “nossos”.

Nessa vontade, vista como energia de viver, -amando ou odiando para nos formar como seres-, transitamos nossas vidas. Na procura de ser enxergados, vistos, descobertos vivemos. Ficar no inconsciente da sociedade, ou de alguém, é o pior castigo para esta “vontade de vontade” que quer existir.

Mas sabemos, que “o eterno retorno do reprimido” nos dará sempre uma chance de voltar, está em nos, que quando voltemos, tentemos integrar “aos outros” nas nossas vidas para cortar este ciclo eterno. A nossa oportunidade é destruir essa matriz tão humana de ver as coisas em pares, “nós, os gregos, eles os bárbaros”. Pareceria que só sabemos contar ate dois.  O consciente é a casa de todos.