About Us

Our work strives to enhance our sense of surroundings, identity and relationship to others and the physical spaces we inhabit, whether feral or human-made.

Selected Awards
  • 2004 — Aga Khan Award for Architecture
  • 2009 — Mies van der Rohe Award
  • 2013 — AIA/ALA Library Building Award
  • 2015 — Best Interior, Designers Saturday
  • 2016 — AIA New York Honor Award

A perversidade da Mídia e sua audiência.

Por Juan Maresca

O perverso sabe o que quer: prazer. E também sabe como satisfazer seu prazer: a qualquer custo.

O perverso tem pura vontade de gozo, e essa força interior que o impulsiona na procura de prazer não tem em conta os sentimentos e necessidades alheias, o único que importa é o próprio prazer.

O perverso não tem limites nem morais nem éticos para obtê-lo, não sente culpa,

o superego não o governa.

 

Segundo Freud, “a disposição às perversões é a disposição originária e universal da pulsão sexual dos seres humanos”.

 

Sabendo que todo ser humano coexiste com essas pulsões sexuais, não temos como fugir ao inevitável. Tanto Eu, Tu, Ele, Ela, Nós, Vós, Eles ou Elas, em sínteses “Todos nós” estamos sujeitos a viver com as perversões, sejam estas próprias ou alheias. O que finalmente definirá o nosso caráter é o que faremos com essas perversões. Podemos nos rebelar a elas, superá-las, reprimi-las ou também simplesmente caminhar junto com elas à autodestruição. Esta análise aqui escrito é para ter consciência e justamente evitar esse último caminho.

 

Muitas vezes eu mesmo falei sobre perversidade da mídia. Também, obviamente escutei a outros. Neste momento, decidi pôr mãos à obra e deixar a frase e analisá-la com um novo olhar. Lendo sobre as perversões segundo Freud, e a relação ao objeto e ao objetivo sexual se manifestam, decidi incluir a audiência na relação com a mídia.

 

Sabemos, todos nós sabemos que as mídias definem “uma audiência” e a alimentam de notícias do “seu interesse”. Não existe mídia que não estude sua audiência, que não tente saber tudo dela, seus gostos, anseios, desejos e até os seus medos. A mídia tem que entender a sua audiência, pois só assim conseguirá seduzi-la e mantê-la interessada. Todas as mídias são assim, as grandes, as medianas e as pequenas. Tanto as gratuitas quanto as pagas. As mídias tradicionais e as digitais. Até as pessoas viraram mídias por conta da revolução digital. Hoje em dia, tem muitos, mas muitos indivíduos com maior audiência que o principal jornal nacional, no mercado publicitário os conhecemos como influenciadores digitais e eles são também criadores de opinião pública.

Mas a pergunta obrigada seria, o que tem em comum qualquer um deles com as organizações como a Globo? Tudo. Em todos os casos, todos eles trabalham com o objetivo de seduzir as suas audiências.  

 

E como estamos falando de sedução é fácil conectá-la ao prazer, esse prazer seria o de manter ou aumentar à audiência excitada eternamente. Pois, no momento que a audiência deixa de estar excitada, ela vai á procurar outra mídia que lê de melhor ou maior prazer. Este trabalho de sedução é um trabalho infinito, quase uma pulsão sexual periódica e contínua, que nunca acaba nem jamais consegue chegar ao orgasmo. Essa sedução, como o id, é regida pelo princípio do prazer.

 

Sabemos que existem muitos tipos de prazer, neste caso os dividirei em dois. Saudável e não saudável. Escolhi a palavra “saudável” para não pôr a palavra “normal”, já que a normalidade neste século XXI parece mais maltratada.

 

Voltemos à mídia e a sedução de sua audiência. Ela procura uma relação saudável? Sem lugar a dúvidas não. É uma relação perversa, onde existe um prazer perverso já que o objeto da energia da libido é auto erótica, a única coisa que importa é o prazer próprio. É o prazer da mídia que seduz a audiência a qualquer custo sem se importar muito com a saúde mental dela.   

 

E neste caso, quero mostrar como existe uma correlação da neurose com as perversões. As mídias satisfazem sua força libidinal transformando a suas audiências em neuróticas.

 

Porquê?

 

As audiências são neuróticas porque elas começam a viver numa realidade fictícia, criada a sua própria imagem e semelhança, onde existe o prazer de escutar o que lê faz bem e reprimir o que lê faz mal no objetivo de aguentar a realidade, mas finalmente, terminam sofrendo sem saber o por quê.

 

As mídias são perversas porque sabem o que querem e o fazem sem sentimento de culpa. E isso é perversidade na mais pura de suas definições. A procura pelo prazer do rating, da quantidade de likes, das métricas de engajamento e assim por diante os fazem avançar sobre a linha moral e ética das culturas onde exercem transformado-se a cada dia em uma relação menos saudável.

Na procura do prazer, ambos, as mídias perversas e as audiências neuróticas se encaminham a uma relação de sadismo e masoquismo. Onde, obviamente, a mídia vira sadista, tendo uma fixação com seu objeto de prazer que neste caso é sua audiência e se satisfaz impondo sofrimento no formato de notícias cada dia mais negativas, acontecimentos negativos, novelas negativas, informes negativos e um sem número de eventos negativos na psique de sua audiência. É isto está comprovado matematicamente, os conteúdos de maior rating “sempre” são negativos.  

 

Por outro lado, a audiência virá masoquista, encontrando prazer em receber o sofrimento constante imposto pela mídia. Nessa co-excitação, os dois se unem numa relação perversa que cria a cada dia mais e mais neuróticos a escala global.

 

Terminar o texto só relatando esta relação perversa que todos sofremos não me parece justo, quero propor uma tentativa de cura. Sabemos que a psicanálise acredita no poder da cura pela fala, trazer esta prática sadomasoquista aberrante ao nosso consciente, acredito é o começo do caminho da nossa cura. Fica em nós, em cada um de nós, descobrir porque quando recebemos as dores da mídia nos enchemos de prazer, tanto que vamos em procura destes conteúdos como se fosse uma verdadeira adição. Quem sabe, uma possível solução seja tentar elevar nossa autoestima fortalecendo nosso ego, e assumindo que merecemos mais.